Sendo eu um individuo que gosta de extrapolar matérias do quotidiano para o mundo dos videojogos (e acreditem que não vão ver muitas diferenças), sentei-me, um dia, no sofá a ver um canal televisivo parlamentar de um país ocidental onde se falava de dois grandes partidos políticos que, juntos, formam a Pangeia do sistema político nacional. O dito programa despertou a minha atenção quando se ilustravam as semelhanças (inúmeras e irrefutáveis) entre esses mesmos dois partidos.
Mas onde é que isso se relaciona com os jogos de vídeo?! Se são amantes do género de jogos futebolísticos, talvez já se tenham apercebido da minha analogia pois já se depararam com o dilema FIFA vs. PES. São estes os dois partidos que, nunca conseguindo uma maioria absoluta, vão alternando entre si como o jogo mais vendido do género. Mas será que existem assim tantas diferenças substanciais entre um e outro de forma a que não exista mais espaço para o surgimento de um novo franchise no mercado ou que a próprio género esgotou a originalidade?
Na minha opinião, não!
Deixem-me explicar o meu ponto de vista, mencionando alguns dos videojogos que, outrora, em plataformas anteriores às next gen, fizeram parte do leque de escolhas do jogador: Libero Grande, Red Card Soccer, Sensible Soccer, UEFA Striker, This is Footbal e Virtua Striker são exemplos de jogos que, apesar de não serem inovadores, foram introduzindo alguma substância nova ao videojogo. Algumas dessas matérias perderam-se (ex: a utilização do guarda-redes para além das grandes penalidades) e outras foram aproveitadas e melhoradas pelos “donos da bola” dos nossos dias. FIFA e PES não introduziram o sistema de jogar com um único jogador (presente a partir da edição de 2008) pois essa é já uma categoria presente em, por exemplo, Libero Grande (1997).
1) Pensemos nos intervenientes directos…
Futebol é um desporto praticado por intervenientes directos – jogadores (incluindo guarda-redes), árbitros e treinadores.
Ora, os jogadores são os players que, na categoria de intervenção directa no jogo, são mais utilizados nos videojogos. A forma com que estes controlam a bola conforme as suas aptidões; alterações em aspectos relacionados com a mecânica da bola e da física dos jogadores; aquisição de ligas e adquirir licenças oficiais; transformação dos modos de jogo – são estes os aspectos que, numa maneira geral diferenciam FIFA de PES um do outro e de si mesmos, ano para ano.
Os treinadores são players usados em FIFA e PES, bem como em jogos de “gestão futebolística” como Footbal Manager e LMA Manager (que, de resto, não foram convocados na última temporada). São poucas as diferenças entre ambos, embora LMA Manager se assuma mais como um jogo de gestão total do clube, colocando-nos no lugar de presidente do clube.
1.1) O que fazer?
De forma a trazer ao género futebolístico uma lufada de ar fresco, o género necessita de inovar e não de actualizações anuais. Se bem se lembram dos intervenientes de quem falei anteriormente, faltam explorar os árbitros, os guarda-redes e a categoria dos players indirectos.
Os árbitros são relativamente novos no género. Apenas há uns anos atrás se introduziu a personagem “fisicamente” no videojogo, sendo as faltas até então, assinaladas pelo “sistema”. Nunca sentiram um desejo intrínseco de seguir a carreira de árbitro? De certo que existem pessoas que sim e como tal… nem nos videojogos o conseguiram realizar. Isto porque não existe qualquer jogo com essa possibilidade. Desde treinos de ordem física até ao grande palco, onde capacidade de acompanhar as jogadas, ajuíza-las de forma mais correcta, punir os intervenientes com justiça, gerir situações de “escaramuças” (com a utilização de, por exemplo, os dois analógicos) até à realização dos relatórios de jogo são exemplos a explorar num jogo (ou modo) próprio para os amantes do apito.
Os guarda-redes são, também eles, muito mal aproveitados no jogo de futebol. FIFA e PES apenas os utilizam nas grandes penalidades e movimentações ofensivas (que originalidade!). Em jogos como Virtua Striker tínhamos a possibilidade de controlar o guarda-redes nos livres. Será assim tão difícil adoptar o sistema de jogos de NHL para o guarda-redes do futebol? Relembro que em jogos como NHL 2K7 temos a possibilidade de controlar o guardião em qualquer altura e o sistema de defesas baseia-se em slow motion. Se não quisermos controlar o guarda-redes basta não premir o analógico.
2) Mas há mais…
Tal como a laranja não é só feita de casca, também o futebol não é só o que está à à vista dentro das quatro linhas. As cadeias de televisão, os adeptos e os empresários futebolísticos são exemplos desses gomos suculentos que fazem com que o futebol seja o desporto com mais adeptos na Europa. Não dariam, também eles, um bom videojogo? E são quantos os videojogos que têm o futebol como fundo e não como essência?
2.1) Como?
Pegando um pouco na matéria de jogos de estratégia como Tv Giant (PC) mas, simultaneamente transformando todo o conteúdo, é um exemplo que aqui deixo. Por outras palavras, nunca pensaram como deve ser gerir uma cadeia de televisão? E se esta fosse inteiramente dedicada a futebol?
Adquirir direitos de transmissão, recursos humanos adequados, gerir a publicidade e campanhas de marketing eram hipóteses a ter em conta num jogo deste género. É claro que a transmissão do(s) jogo(s) seriam o ponto mais importante da semana, com possibilidade de controlar os movimentos da câmara, zoom, timings das repetições e escolha dos separadores das mesmas, estatísticas, multi-jogos etc.
Hooligans Videogame (PC) é o maior e, talvez, o único exemplo de um videojogo com base no comportamento dos adeptos de um clube, embora com um certo distanciamento daquilo que queremos transmitir.
Não haverá mercado para este tipo de jogos?
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